Exames para Covid-19

Mais de um ano após a OMS ter declarado a pandemia de Covid-19, cresceram as opções de testes para o diagnóstico desta infecção, mas a escolha dos exames, como em outras doenças que dispõem de diversos recursos laboratoriais, depende da situação clínica e do objetivo do uso.

Nesta oportunidade, apresentamos as características dos testes para a COVID-19 que o Exame Laboratório disponibiliza. São os Testes que pesquisam diretamente alvos genéticos ou proteicos do Sars-CoV-2 e os Testes indiretos, que detectam os anticorpos.

TESTES DIRETOS – PESQUISA DO VÍRUS SARS-COV-2

RT-PCR para SARS-COV-2
Teste Molecular

RT-PCR em Tempo Real

RNA do Sars-CoV-2

• Raspado (swab) de nasofaringe  + orofaringe

• Pacientes sintomáticos com suspeita de Covid-19. 

• Pessoas assintomáticas expostas a potencial transmissão. 

• Pessoas que realizarão alguma atividade que requeira medidas adicionais de prevenção de transmissão, como viagens aéreas, internações hospitalares e cirurgias.

• Do 3º ao 10º dia após o início dos sintomas. 

• Para expostos: A partir do 5º dia após a última exposição. 

• Para prevenção: conforme protocolos institucionais

  • Sensibilidade analítica: 100% 
  • Limite de detecção: 100 cp/mL 
  • Padrão-ouro (as sensibilidades dos outros testes são calculadas em comparação a este) 
  • Sensibilidade clínica: influenciada por múltiplas variáveis.

• É considerado o padrão-ouro para o diagnóstico de Covid-19. 

• Trata-se do método mais sensível e aplicável por mais tempo após o início dos sintomas. 

• Tem sensibilidade equiparável para sintomáticos e assintomáticos. • É o método requerido para a maioria dos protocolos de prevenção de transmissão.

  • A coleta geralmente provoca desconforto e pode ser dificultada em pacientes pouco colaborativos. 
  • A sensibilidade clínica varia de acordo com dia da coleta em relação ao início dos sintomas, tipo de amostra e manifestações clínicas do paciente. 
  • O teste tem valor preditivo negativo decrescente a partir do oitavo dia após o início dos sintomas (redução da carga viral e excreção intermitente). 

Teste rápido de antígeno
para SARS-COV-2

Imunocromatográfico

Antígenos Proteicos de Sars-CoV-2

Raspado (swab ) de nasofaringe.

  • Pacientes sintomáticos com suspeita de Covid-19.
  • Pessoas assintomáticas expostas a potencial transmissão. 
  • Do 3º ao 10º dia após o início dos sintomas.
  • Para expostos:  A partir do 5º dia após a última exposição.

96% em relação à RT-PCR em raspado de naso + orofaringe, em amostras de pessoas com até 7 dias de sintomas.

A partir do 7º dia de sintomas há um ligeiro e progressivo decréscimo.

  • Oferece maior agilidade de resultados, mantendo desempenho satisfatório na fase precoce/aguda  da doença. 
  • Resultados prontos em até 2 horas.
  • É ideal para pacientes sem indicação de hospitalização pois podem realizar a coleta e confirmar o diagnóstico.
  • Em casos com resultado negativo e persistência da suspeita, considerar nova coleta para análise por RT-PCR (não é possível realizar na mesma amostra). 
  • O exame não pode ser feito em outros materiais, tais como saliva e lavados, ou, ainda, em amostras com sangue macroscópico. 
  • Ainda não é aceito, de modo geral, para viagens aéreas

TESTES INDIRETOS - IMUNOLÓGICOS = TESTES SOROLÓGICOS

Anticorpos Totais anti SARS-COV-2

Eletroquimiolumines-cência  (ECLIA)

Anticorpos totais contra a proteína N (Nucleocapsídeo) do SARS-CoV-2, vírus causador da COVID19.

• Pacientes sintomáticos com evolução superior a 14 dias que não tiveram diagnóstico confirmado por PCR • Pessoas com ou sem antecedente de quadro clínico compatível com Covid-19, para avaliar se houve infecção pregressa 

• Indivíduos com histórico de infecção confirmada, para avaliar se houve produção de anticorpos

  • A partir de 14 dias após o início dos sintomas 
  • 21 após exposição de risco
  • 96% em pacientes com doença sintomática confirmada por PCR e, pelo menos, 14 dias de intervalo entre a coleta da PCR e da sorologia.
    • O exame não se aplica, necessária- mente, à avaliação 

    da resposta do organismo à vacina contra a Covid-19. Considerar o tipo de imunógeno presente no composto (vírus inativado, vetor viral ou ácido nucleico indutor de anti-

    corpos anti-spike).

Anticorpos IgG anti SARS-COV-2

Quimioluminescência

Anticorpos IgG contra o domínio RBD da proteína S1, Spike do SARS-COV-2

  • Pacientes sintomáticos com evolução superior a 14 dias que não tiveram diagnóstico confirmado por PCR • Pessoas com ou sem antecedente de quadro clínico compatível com Covid-19, para avaliar se houve infecção pregressa
  • Indivíduos com histórico de infecção confirmada, para avaliar se houve produção de anticorpos

 

  • A partir de 14 dias após o início dos sintomas
  • 21 após exposição de risco
  • 96% em pacientes com doença sintomática confirmada por PCR e, pelo menos, 14 dias de intervalo entre a coleta da PCR e da sorologia.
  • • O exame não se aplica, necessária- mente, à avaliação da resposta do organismo à vacina contra a Covid-19. Considerar o tipo de imunógeno presente no composto (vírus inativado, vetor viral ou ácido nucleico indutor de anticorpos anti-spike).

Anticorpos IgM anti SARS-COV-2

Quimioluminescência

Anticorpos IgM contra o domínio RBD da proteína S1, Spike do SARS-COV-2

• Pacientes sintomáticos com evolução superior a 10 dias que não tiveram diagnóstico confirmado por PCR

•A partir de 10 dias após início dos sintomas

  • 85% em pacientes com doença sintomática confirmada por PCR e, pelo menos, 10 dias de intervalo entre a coleta da PCR e da sorologia

• O exame não se aplica à avaliação da resposta do organismo à vacina contra a Covid-19.

Teste de Neutralização do SARS-COV-2

Enzimaimunoensaio

 Anticorpos contra o domínio de ligação ao receptor (RBD) da proteína S1 do SARS-COV-2 (Simula o potencial de neutralização do vírus SARS-COV2)

    • Útil na avaliação de resposta vacinal

    (A partir de 20 dias após a segunda dose vacinal)

    • Pessoas com antecedente de Covid-19, confirmada ou não, ou com histórico de exposição pregressa, para avaliar a produção de anticorpos neutralizantes (protetores)
  • Para detecção de infecção pregressa: 14 dias após início dos sintomas 
  • Após exposição de risco: 21 dias 
  • Para avaliação de resposta vacinal: 20 dias após a 2ª dose ou 30 dias após dose única.
  •  

97% em pacientes com doença sintomática confirmada por PCR e, pelo menos, 14 dias de intervalo entre a coleta da PCR e da sorologia.

  • A sensibilidade clínica varia conforme o tempo decorrido entre a infecção e a coleta, o tipo de exposição e a gravidade dos sintomas. Cerca de 90% dos indivíduos desenvolvem anticorpos em até 28 dias após a infecção.
  • É possível que níveis altos de anticorpos neutralizantes precisem de mais de 21 dias para se estabelecer, podendo implicar a necessidade de seguimento sorológico.
  • O exame não se aplica, necessariamente, à avaliação da resposta do organismo à vacina anti Covid-19, embora atualmente seja o exame mais indicado para este fim. (A correlação deste teste com a resposta vacinal ainda não é totalmente compreendida).

OBSERVAÇÕES GERAIS

  • Atenção; a sensibilidade clínica varia conforme o tempo decorrido entre o início da infecção e a coleta, o tipo de exposição e a gravidade dos sintomas. Cerca de 90% dos indivíduos desenvolvem anticorpos em até 28 dias após a infecção. 
  • Resultados indeterminados e falso-positivos podem ocorrer eventualmente, (sendo mais frequentes para IgM).
  • Em casos de IgM reagente isoladamente, a elucidação do diagnóstico requer seguimento sorológico. 
  • Pessoas que têm infecção assintomática ou com sintomas leves, mesmo confirmada por PCR, podem levar mais tempo para soroconverter ou nem produzir anticorpos perceptíveis com as técnicas utilizadas.

Conheça os diferentes tipos de testes para COVID-19.

A COVID-19 é uma doença causada pelo vírus SARS-CoV-2. Existe atualmente uma série de testes disponíveis para diagnóstico da COVID-19. Cada tipo de teste tem sua eficácia, dependente da aplicação do mesmo em momento adequado, de acordo com o quadro clínico do paciente. Por conta disso, várias dúvidas podem surgir a respeito de qual teste seria mais adequado, ou qual a precisão de cada teste, ou ainda quais os significados dos termos técnicos utilizados nos mesmos. Com a finalidade de esclarecer estas e outras dúvidas, traremos informações detalhadas, para que você possa entender melhor a este respeito. Atenção: É importante ter a orientação e o acompanhamento de um médico.

DIFERENÇA ENTRE EXAMES DA COVID-19: SOROLOGIA, TESTE RÁPIDO E RT-PCR (Teste Molecular)


O QUE É PCR OU TESTE MOLECULAR PARA COVID-19?

A RT-PCR (do inglês reverse-transcriptase polymerase chain reaction) ou Teste Molecular para COVID-19, utiliza técnica de biologia molecular para identificar a presença de material genético do vírus SARS-CoV-2. É o exame considerado “padrão-ouro” para diagnóstico da COVID-19 e é indicado principalmente para quem está com sintomas da COVID-19. A amostra do paciente, utilizada para este teste, é esfregaço da nasofaringe e orofaríngeo (coletada com swab) ou lavado brônquico. A coleta deve ser feita do 3º ao 10º dia de sintomas clínicos, pois fora desse período, a quantidade de vírus nestes locais de coleta pode não ser suficiente para a detecção. Este exame permite ao médico fazer o diagnóstico preciso e no início da doença por isso é considerado o principal Teste para diagnóstico da COVID-19.

PARA QUE SERVE O EXAME DE PCR PARA COVID-19?​​

O PCR serve para detectar a presença do vírus no organismo do paciente. Analisando o material coletado do nariz e da garganta do paciente, o exame consegue identificar a presença do RNA do vírus.

O QUE É O EXAME DE SOROLOGIA PARA COVID-19? COMO FUNCIONA O EXAME DE SOROLOGIA DO CORONAVÍRUS?

O Teste Sorológico, diferentemente da RT-PCR, pesquisa a resposta imunológica do corpo ao vírus da COVID-19. Objetiva detectar a presença dos anticorpos IgA, IgM e IgG específicos contra o SARS-CoV-2 de forma quantitativa, ou seja, o Teste Sorológico é capaz de detectar os níveis de anticorpos contra a COVID-19 produzidos após exposição ao vírus. Com o resultado do teste o médico poderá avaliar se o paciente em questão contraiu a COVID-19 e, em caso positivo, será possível determinar a fase da doença em que se encontra este paciente ou, em conjunto com os dados clínicos, também é possível avaliar se já está curado. Para que o Teste Sorológico tenha eficácia no diagnóstico, é recomendado que seja realizado a partir do 8º dia de sintomas clínicos, quando já se tem quantidade mínima suficiente de imunoglobulinas para serem detectadas pelos métodos sorológicos. Realizar o teste de sorologia antes do período indicado pode resultar num resultado falso negativo. O exame de Sorologia é realizado por meio da coleta de sangue venoso do paciente, similar a outros exames laboratoriais de sangue, a análise é feita a partir de metodologias como Enzimaimunoensaio e Quimioluminescência, que detectam e quantificam os anticorpos específicos para SARS-COV-2; IgG, IgM e IgA.
Importante: Um resultado negativo NÃO exclui a possibilidade da presença da doença, pois o paciente pode estar no período da doença em que ainda não se tem imunoglobulinas suficientes para serem detectadas. É o período chamado de janela imunológica que compreende desde o período de incubação até aproximadamente o 8º dia de sintomas clínicos.

O QUE É TESTE RÁPIDO PARA COVID-19?

O Chamado “Teste Rápido” para COVID-19 também é um teste sorológico, porém com método Imunocromatográfico de detecção qualitativa dos anticorpos IgG e IgM anti SARS-COV-2 (Vírus causador da COVID-19). O teste é feito a partir de amostra de sangue colhida por punção venosa. Este teste pode detectar se o paciente já teve contato com o vírus da COVID-19. A vantagem desse teste é a obtenção de resultado rápido (Em no máximo 2 horas). Importante: O resultado negativo NÃO exclui a possibilidade da presença da doença, pois o paciente pode estar no período da doença em que ainda não se tem imunoglobulinas suficientes para ser detectada. É o período chamado de janela imunológica. Nesse caso o médico que assiste ao paciente pode solicitar exames complementares.
Os Testes Rápidos, por serem de detecção qualitativa, possuem sensibilidade menor em comparação as outras metodologias utilizadas para a Sorologia (Enzimaimunoensaio e Quimioluminescência).

QUANDO COLETAR A AMOSTRA PARA O TESTE DA COVID-19? (Melhor período)

  • TESTE MOLECULAR (RT-PCR): entre o 3º e 10º dia após o início dos sintomas.
  • TESTE SOROLÓGICO: A partir do 8º dia do início dos sintomas.
  • TESTE RÁPIDO: A partir do 8º dia do início dos sintomas.

EM QUANTO TEMPO FICA PRONTO O RESULTADO DOS TESTES PARA COVID-19?

  • TESTE MOLECULAR (RT-PCR): De 2 a 5 dias.
  • TESTE SOROLÓGICO: 2 a 3 dias.
  • TESTE RÁPIDO: Em até 2h.

UMA PESSOA COM ANTICORPOS PODE TRANSMITIR O VÍRUS?

É desconhecido. Os anticorpos IgM são geralmente associados com o contato viral recente (fase aguda da doença) e IgG indica um contato anterior (convalescença ou cura da doença). No entanto, a dinâmica desses anticorpos em Covid-19 ainda é controversa e depende de mais estudos. A recomendação é de isolamento por 15 dias após o início dos sintomas, independente da presença de anticorpos ou testes moleculares negativos. Caso os sintomas persistam, esse período de isolamento deve ser revisto.

SE A PESSOA APRESENTA ANTICORPOS SIGNIFICA QUE É IMUNE AO COVID-19?

Ainda não existem estudos que comprovem ou afastem a imunidade protetora. O conhecimento que se tem atualmente é baseado nas outras coronaviroses, onde estima-se uma proteção/imunidade por períodos superiores a um ano.

QUANDO UMA PESSOA DEVE PROCURAR FAZER O TESTE?

Se estamos falando de teste molecular para detecção do vírus através de amostras de secreção nasal ou da garganta do paciente, a partir do terceiro até o décimo dia de sintomas clínicos pode fazer o teste. Já existem evidências que períodos anteriores e posteriores a esses, podem apresentar ainda resultados positivos para a Covid-19, no entanto, aumenta bastante a chance de um teste falso negativo, ou seja, a pessoa está infectada, mas não é detectado pelo teste.
No caso dos testes para detecção de anticorpos, as informações são ainda mais controversas, mas de maneira geral, acredita-se que após oito a dez dias de sintomas clínicos, inicia-se a detecção no sangue de anticorpos na fase aguda da doença (IgM e/ou IgA), indicando contato recente com o vírus. Após doze a dezoito dias de sintomas, anticorpos associados à fase convalescente da doença (IgG) começam a ser detectados no soro e permanecem por um período maior no nosso organismo e indicam desenvolvimento de imunidade mas não garantem a proteção. No entanto, essa dinâmica de geração de anticorpos ainda não está totalmente confirmada.